Transformando memórias traumáticas em potencial de cura


Tudo que está escondido tem mais dificuldade de ser tratado e, como consequência, de ser curado. Por isso o trabalho de encontrar memórias traumáticas pode ser um ótimo caminho para uma vida mais plena e feliz. Entenda por que.

É preciso ter coragem para buscar dentro de si as memórias de situações que nos marcaram, muitas vezes de forma traumática e sofrida. Mas encontrar esses registros pode ser o começo de um caminho de cura, já que só é possível traçar uma estratégia e tratar aquilo que reconhecemos. Ao invés de pensar no que aconteceu na sua vida como algo trágico e triste, comece a mudar seu olhar e a entender essas memórias como um incrível potencial de cura.

Nós todos somos extremamente especiais. Nossas mentes e nosso corpo são depositários de um mapa riquíssimo de experiências que falam sobre quem somos e o que vivemos. Nossas memórias. Claro que muitas delas são tristes e preferíamos não ter que mexer nelas, por isso mesmo são chamadas memórias traumáticas. Mas imagine um ferimento que não é limpo, desinfectado ou medicado. Tempos depois, talvez a cura seja mais difícil ou a negligência renda, inclusive, um membro amputado.

Parece radical demais, mas é assim que acontece com as nossas dores da alma. Quando elas acontecem, muitas vezes não temos consciência e elas ficam lá, registradas em algum lugar escondido. Algumas, se ultrapassam a barreira do que consideramos suportável, podem ficar marcadas em lugares específicos nos tecidos do corpo. Desencavar essas memórias é papel da Microfisioterapia, uma das técnicas que usamos para começar a limpar nossos registros e tentar zerar o jogo contra os sofrimentos vividos.

Aí, imagine essa memória, esse sofrimento lá, guardadinho. Talvez seu primeiro pensamento seja “deixa quieto, não quero sofrer tudo de novo”. Mas acontece que a memória traumática se assemelha ao ferimento sem cuidados que mencionamos acima. Ela não inviabiliza a utilização de um membro, mas ela pode evitar que você use todo o seu potencial mental e emocional. Ela pode dirigir, silenciosamente, por uma crença limitante criada pelo medo, suas ações e decisões.

Já pensou nos motivos pelos quais você pode ter medo do novo, medo da mudança, medo de tomar iniciativas, medo de amar? Talvez, lá atrás, você tenha feito isso tudo e tenha sofrido. E essa memória, mesmo que inconsciente, esteja tentando te proteger de sofrer de novo! Não é incrível como geramos autoproteção? Mas é preciso pensar que essa proteção pode, em larga instância, se tornar empecilho para novas experiências.

Nem sempre precisamos nos proteger, certo? Mas a memória traumática é meio literal. É como se ela pensasse: por via das dúvidas, vamos ficar aqui, quietinhos, e evitar tudo que é novo. Vai que vem sofrimento junto com a novidade, né? Mas, como ficam as novas experiências, os novos conhecimentos, as novas pessoas que precisam chegar nas nossas vidas? Por isso, é preciso parar de fazer das memórias traumáticas um inimigo a ser combatido.

Elas, na verdade, podem nos dar um mapa. Para novos começos, novas atitudes, novas escolhas. Precisam ser aliadas em um processo de cura que vai aliviar o peso do que foi vivido e abrir espaço para o novo. Portanto, não fuja das suas memórias. Procure ajuda para entende-las e ressignificá-las. Se precisar, estamos aqui!

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